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Guia de compras9 min de leitura

Produtos brasileiros no Coles, Woolworths e Aldi: o que existe e o que substituir

Clara Camille

Clara Camille

Toda brasileira que chega na Austrália passa por isso: entra no Woolworths procurando feijão carioca, farinha de mandioca e requeijão e sai com a sensação de que vai ter que mudar tudo. Não vai. Boa parte do que você comia no Brasil existe aqui, só com outro nome, em outro corredor ou em outra loja.

Este guia é a lista que eu passo para minhas pacientes: o que você encontra nos três grandes mercados (Coles, Woolworths e Aldi), o que só aparece em loja brasileira ou asiática e quais trocas funcionam bem na prática, sem perder o sabor de casa.

O que você encontra nos mercados comuns

  • •Feijão preto: em lata (black beans) nos três mercados, no corredor de enlatados. Em grão seco, procure na seção de legumes secos ou na ala de produtos internacionais.
  • •Açaí: polpa congelada em pacotinhos no freezer do Woolworths e do Coles, perto das frutas congeladas. Prefira a versão sem açúcar e adoce com banana.
  • •Tapioca: a goma vendida como tapioca flour ou tapioca starch, no corredor de produtos sem glúten ou de farinhas. Hidrata do mesmo jeito que no Brasil.
  • •Polenta e fubá: polenta (fina ou instantânea) no corredor de massas e arroz. Serve para angu, bolo de fubá e polenta cremosa.
  • •Leite condensado e creme de leite: condensed milk e thickened cream, no corredor de confeitaria e na geladeira. O creme de leite daqui é mais gordo; use um pouco menos.
  • •Coco: leite de coco, água de coco e coco ralado seco estão em qualquer um dos três mercados.
  • •Carne moída, coxa de frango e ovos: a base da comida brasileira do dia a dia está sempre lá, e costuma ser mais barata no Aldi.
  • •Pão de queijo: aparece congelado em algumas lojas, geralmente como Brazilian cheese bread, no freezer de pães. Nem toda unidade tem.

O que você vai achar em loja brasileira ou asiática

Brisbane, Sydney, Melbourne e Gold Coast têm mercadinhos brasileiros, e os asian grocers quebram um galho enorme para raízes e farinhas. É neles que ficam os itens que os grandes mercados não têm ou têm só de vez em quando.

  • •Farinha de mandioca e farofa pronta: praticamente só em loja brasileira. Compre em quantidade e guarde fechado, dura bastante.
  • •Feijão carioca de verdade: loja brasileira. No mercado comum, as trocas mais próximas são o borlotti (textura parecida) e o pinto bean, quando aparece.
  • •Mandioca (aipim): congelada nos asian grocers como cassava, às vezes também no Woolworths. Cozinha igual.
  • •Goiabada, doce de leite e paçoca: loja brasileira. O dulce de leche argentino, que aparece em alguns Coles, substitui bem o doce de leite.
  • •Guaraná, café brasileiro e erva-mate: loja brasileira ou online.
  • •Queijo coalho e queijo minas: raros. O haloumi grelha parecido com o coalho; para o minas, a ricota fresca é a troca mais usada.

Trocas que funcionam (e que eu uso nos planos)

Quando o produto original não está disponível, a troca certa mantém a função daquele alimento na refeição: a proteína continua proteína, a fibra continua fibra. Essas são as que mais aprovam:

  • •Requeijão: cream cheese light ou ricota batida com um fio de leite. Para passar no pão, o cottage também resolve.
  • •Pão francês: bread rolls das padarias dos mercados, de manhã, saem quentinhos. O sourdough é a opção com mais fibra.
  • •Farofa: se não tiver farinha de mandioca, uma farofa de aveia em flocos tostada na frigideira com cebola e manteiga surpreende.
  • •Linguiça toscana: as sausages de porco com poucos temperos. Leia o rótulo e prefira as com mais carne e menos recheio.
  • •Couve: kale ou cavolo nero, refogados do mesmo jeito. O silverbeet também serve.
  • •Pão de queijo caseiro: tapioca flour, queijo tasty ralado, ovo e leite. Rende mais barato que o congelado.

Como montar a despensa sem gastar demais

O segredo é separar os itens em duas listas: a semanal, nos grandes mercados (frescos, proteínas, básicos) e a mensal, na loja brasileira (farinha, feijão carioca, café). Aproveite os weekly specials do Coles e do Woolworths para os itens de despensa e compre no Aldi o que você usa em volume.

Comer com sabor de Brasil na Austrália não é questão de achar os mesmos rótulos, e sim de saber onde cada coisa está e o que troca com o quê. É exatamente isso que entra no plano alimentar que eu monto para cada paciente: comida de verdade, com o que existe aqui.

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